Acossado(1960); de Jean-Luc Godard

Um dos primeiros filmes da nouvelle vague Francesa, é para sempre, um clássico moderno.
Um chapéu,um paletó,uma arma e um cigarro no canto da boca...Não, este não é Humprhey Bogart, é Jean Paul Belmondo como Michel Poiccard em "Acossado", filme de estréia de Jean-Luc Godard nos cinemas. É notório a influencia do cinema no primeiro filme de Godard, é visivel que tratamos aqui de, mais do que um diretor, um homem apaixonado pelo cinema. Poderíamos dizer que Godard é o Quentin Tarantino da década de 60. Se Tarantino explora o seu fanatismo pela cultura pop e os filmes B, Godard explora o seu conhecimento e gosto pelos filmes clássicos. Há muito de Nicholas Ray, Fritz Lang, Hitchcock e outros diretores consagrados em seus filmes. É um critico de cinema, com um olhar para o cinema. É fazer cinema por amor, não subvertendo-se ao dinheiro. Um "divisor de águas" que marcou verdadeiramente a entrada do cinema no âmbito das narrativas. Para Godard, as palavras eram tão importantes quanto a imagem.
Surpreendentemente, para um iconoclasta artístico cuja evolução foi tão rapida e ambiciosa, "Acossado" é uma estréia modesta. Há algo parecido com um enredo de thriller, que é completado por uma traição, perseguição policial e um tiroteio no fim. Há uma trilha sonora jazzística de filme noir encantadora, porém convencional. Há o falatório em forma de rap, insolente e ligeiramente ofensivo, que jorra da boca tagarela de Belmondo,porém isso não chega a contradizer a tradição de Chandler e Hammet de conversa de detetive durão. Seja por acidente, ou de propósito, o estilo da filmagem é apressado, de baixo orçamento, o que não torna o filme ruim em hipótese alguma, muito pelo contrário, são estas tecnicas utilizadas, aliadas ao não uso de som direto, na qual não se percebe a diferença entre o som "real" - das coisas que ocorre dentro da história - e o som imposto pelo cineasta, e ao fato de filmar em ambientes fechados e poucos espaçosos, que fizeram Godard produzir inovações extraordinárias.
No entanto, é como uma história de amor moderna que "Acossado" retém seu imenso charme para os membros da Geração X e além. Filhos da reflexão existencialista, da fartura do pós guerra, da atitude cool da cultura beat e da irreverência da cultura pop, esses anti-heróis tratam do amor como um jogo e suas próprias identidades como máscaras descartáveis.Estão presos entre os valores tradicionais que rejeitam e a maneira de amar do futuro que ainda não se materializou. No fim das contas, há de se exaltar o verdadeiro criador da mistura de um enredo solto envolvendo crimes e gângesteres, uma atitude "esperta" e um apanhado moderno de citações de alta e da baixa cultura. E sim, meu caro leitor, os grandes méritos e louros não estão nas mãos e muito menos na cabeça de Quentin Tarantino, mas sim, na de Jean-Luc Godard!
"Penso na morte não ás vezes, mas o tempo todo..."
Acossado
Por Renato Lara da Cruz